Onde é Lá?


Mudar seus planos não é sinônimo de falta de rumo. Se tem algo que passaremos a vida aprendendo é que não estamos prontos. Basta um desejo saciado para um novo buraco se abrir na nossa alma. É assim... e sempre será. Freud, Lacan, Schopenhauer e mais um time bala explicam. Não importa se somos velhos ou novos, seremos sempre mais velhos que antes e mais novos que depois. Um ciclo infinito onde você pode ser o remetente e o destinatário dessa carta. Colocar no papel pode parecer metódico, mas o que nos mostraria com mais nitidez que um papel o quanto mudamos. Assim como as pessoas, existem experiências pelas quais passamos que servem apenas como pontes que nos levam a algum lugar realmente importante. Sofre quem esquece de fazer uma panorâmica e avaliar em que parte do caminho está. E o mais importante, tem quem confunda ponte com destino.

Tenho aqui uma lista de amigos que já colocaram na mesma frase, idade, planos, carreira, sonhos, dinheiro. E eu pergunto: se o mundo muda, se você muda, por que teriam os sonhos que se engessarem a sua espera? Eles também mudam. Assim como uma música que você ouvia no repeat, passou a enjoar só de ouvir a primeira nota e anos depois vibra ao ouvi-la como um flashback. Com os sonhos acontece o mesmo. Você toma uma overdose de ideias, respira elas 24h por dia, quando percebe já não aguenta mais querer e não ter, então precisa de anos para que aquilo deixe de incomodar e virar a lembrança de uma ideia absurda que já teve... e ri. Mas tem que ser sempre absurda e ultrapassada? Não, não tem. Pode ser que essa ideia apenas estivesse na ponte, esperando a hora certa de continuar.

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