
A descoberta do álcool, por volta do ano 1300, foi um marco na história do perfume. ela possibilitou o nascimento, séculos depois, da indústria da perfumaria. E a Itália teve um papel fundamental nessa trajetória. Graças ao renascimento florentino, a Europa se apaixonou pelos perfumes. "Leonardo da Vinci chegou a fazer experimentos com perfumes", conta Renata Ashcar, autora do livro Brasilessência: A Cultura do Perfume.
A nobreza italiana também colaborou na disseminação das fragrâncias. "Em 1533, Catarina de Médici mudou-se da Itália para a França para se casar com o rei Henrique II e, junto com sua corte, levou seu perfumista, Renato Bianco, conhecido como René Blanc, Le Florentin. Foi então que a indústria da perfumaria começou a se desenvolver na França", lembra Renata. "René Blanc deu à França as lições iniciais na arte da perfumaria, e fundou a primeira boutique de perfumes em Paris", acrescenta a especialista.
Os perfumes de Catarina de Médici eram feitos na pequena cidade de Grasse, no sul da França, que se firmou com seus aromas para luvas femininas. Aos poucos, o local se tornou a capital do perfume, com vantagens geográficas para isso. Contava com jardins em que as plantas do Oriente e da Península Ibérica cresciam muito bem, especialmente as frutas cítricas e as flores - como rosas, cravos, tuberosas e jasmim -, muito utilizadas na produção de fragrâncias. No século 18, várias fábricas de perfume foram instaladas na cidade, para suprir as necessidades da corte de Luis XV.
O mercado da perfumaria continuou crescendo na França e, no século 19, surgiram as primeiras grandes marcas de perfumaria francesa: Guerlain, Pinaud e Roger Gallet. Destacam-se, também, a Hermès, famosa na época por suas luvas perfumadas, e a Molinard. Antes, em Londres, surgiram a Yardley e a Atikinsons.
Foi nessa época também que surgiram os primeiros produtos de síntese, ingredientes sintéticos para a produção de perfumes. "Pense que são necessárias três toneladas de pétalas de rosa para se obter um litro de óleo essencial de rosa. Imagine se todos os ingredientes de perfumes fossem naturais? O mundo estaria extinto.", diz Renata.
Em 1851, Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão, proclamou-se imperador na França e assumiu o trono com o título de Napoleão III. Mas foi sua esposa quem marcou presença na história do pefume. E sua marca favorita era a casa Guerlain.
Em 1900, fragrâncias ganharam espaço na Exposição Internacional de Artes Decorativas e o perfume tornou-se um produto industrial. O século 20 foi o século dos grandes nomes da perfumaria, como François Coty e Ernest Beaux (criador do Chanel nº 5).
Made in O Boticário para Marie Claire
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